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É assim que nos querem

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Grupo_Ira O Grupo IRA apresenta várias músicas que possuem um bom nível político e cultural e em especial queríamos trazer a música “É assim que me querem”. Tal música traz uma visão crítica sobre as drogas e relata como são intencionalmente utilizadas para anestesiar as massas, sobretudo a juventude, e incapacita-las de lutar contra o sistema que as oprime e brutaliza.

É importante ressaltar a importância de que hajam grupos e bandas que ainda se preocupem em trazer uma arte de qualidade ao seu público. E isso é ainda mais notável (e, diga-se de passagem, é a exceção) no meio “rockeiro” pois que esta tem sido exatamente uma das expressões musicais mais utilizadas pelo imperialismo para popularizar uma espécie de “rebeldia oficial” baseada no individualismo e na glamourização do estilo de vida “yuppie”.

Em tempos em que a burguesia decadente tenta desvirtuar a arte de seu verdadeiro papel histórico, que é o de servir às massas, trazer os aspectos do dia-a-dia para uma reflexão, expondo os problemas a serem enfrentados e superados, é tarefa raramente cumprida e, por isso mesmo, bem importante. A defesa da “arte pela arte” feita pelos círculos mais reacionários e que encontra eco também no meio dos os trotskistas e oportunistas em geral nada mais faz que, na verdade, derrubar e vulgarizar o que deve ser a autêntica manifestação artística. A famigerada “cultura de massas”, reproduzida pelos monopólios dos meios de comunicação, nada mais faz que entregar à população apenas a possibilidade de conhecer os mais toscos, lunáticos e pornográficos best-sellers de vampiros e psicopatas, teatros com preços e linguagem inacessíveis ao povo trabalhador, pinturas surrealistas e afastadas da realidade, “músicas” sem conteúdo, etc, etc.

Em 1951, quando escrevia a obra “O Mundo da Paz”, Jorge Amado comparava o avanço cultural socialista da URSS com a podridão existente em nosso país. Guardadas as devidas proporções, a mesma comparação ainda pode ser feita:

“E a maioria desse pequeno grupo que sabe ler, que pode ir aos teatros e ao cinema, que livros lê, que peças assiste, que filmes lhe são dados a ver? Quais são os autores estrangeiros preferidos do nosso público – da pequena, média e grande burguesia alfabetizada? Serão por acaso Dickens, Balzac, Shakespeare? Não existem quase à venda em nossas livrarias traduções brasileiras de Dickens e Shakespeare; só agora se inicia a publicação das obras completas de Balzac, e o preço dos livros é impossível, reduz o público comprador a uma proporção ínfima da já tão pequena quantidade de leitores. Por outro lado, a burguesia, os senhores feudais, o imperialismo, não tem nenhum interesse em que o povo leia e, sobretudo, em que leia os grandes escritores sempre capazes de ensinar algo de perigoso para a estabilidade de um injusto estado de coisas. O que vemos na mão da grande massa de leitores são os romances da “Biblioteca das moças”, as histórias idiotas de Delly e de Arde, ou os “best-sellers” ianques, os grossos compêndios de estupidez, impregnados de uma ideologia reacionária, histórias distantes de toda a realidade de propaganda da filosofia de vida “americana”, tão absurda e falsa. Os nossos teatros vivem entre o dramalhão mais tolo e a “chanchada” mais pornográfica, o monopólio ianque dos cinemas nos oferece a produção cretina de Hollywood. É tudo que tem a “elite” alfabetizada do nosso povo como meio de cultura e tudo isso custando os olhos da cara...

Na URSS, a cultura foi libertada das peias que a escravizavam, que a limitavam, que a tornavam propriedade de uma casta. Os trabalhadores, após a revolução, encontram em sua frente não só a possibilidade de cultivar-se, de alfabetizar-se, de educar-se, porém, mais que isso, foram, por todos os meios, estimulados a fazê-lo. Elevar o nível de cultura do povo, eis uma das maiores tarefas propostas pela Revolução de Outubro ao novo Estado socialista. Ela foi realizada numa extensão e profundidade incríveis. Não só o analfabetismo desapareceu. O gosto literário adquiriu um refinamento que nenhum grupo intelectual burguês do mundo o possui: basta passar os olhos pelo repertório dos teatros de Moscou – Shakespeare, Garcia Lorca, Lope da Veja, Moliére, Gagol, para falar apenas de mortos. Lá não vereis a “chanchada” pornográfica nem o dramalhão absurdo”.

jovens_utilizando_crack_em_s_o_paulo Voltemos para a música do Grupo IRA. “É assim que me querem” trata basicamente de como as drogas são falsamente proibidas pelo Estado e pelo sistema capitalista quando as mesmas, na essência, são utilizadas propositalmente para que o usuário aceite passivamente tudo o que lhe é imposto, para que não consiga ver o que há de errado no mundo, para que seja indiferente com as agruras da vida, não podendo assim lutar por uma nova realidade. Analisando o problema à fundo, facilmente se percebe que a posição das classes reacionárias é a de sustentar a criminalização dos usuários, sobretudo dos mais pobres, por um lado, e estimular a sua utilização através da propaganda, por outro. E, ao cabo e ao fim, sendo uma das atividades que propiciam maiores índices de acúmulo de capital nos dias atuais, os que verdadeiramente lucram com o tráfico estão nas mais altas esferas do poder, sendo apoiados inclusive pelos aparelhos repressivos do Estado, que invadem as favelas para matar o povo pobre e trabalhador com o suposto combate ao tráfico de drogas.

As drogas em geral (inclusive o álcool e a nicotina, tidos como “legais”) são, em primeiro lugar, um caso de saúde pública e é assim que devem ser tratados. E, em última instância, somente com a construção de uma nova sociedade será verdadeiramente possível a superação cabal dessa e de muitas outras mazelas que recaem sobre as costas do nosso povo.

as_drogas_foram_utilizadas_contra_os_panteras_negras Historicamente as drogas foram usadas para minar a fúria revolucionária das massas, como foi com o uísque contra os índios estadunidenses, a cachaça contra nossos índios, a maconha, cocaína e heroína contra a juventude estadunidense e européia do último século, expressas principalmente no combate de movimentos como os Panteras Negras, e atualmente os sem fim de outras drogas que têm destruído e retirado os jovens de todo o planeta da luta por um mundo melhor!

O povo chinês, na luta por sua libertação e independência, levou à cabo a Guerra do Ópio. A Inglaterra obrigava a compra do ópio pela China e embrutecia e minava assim a consciência do povo chinês, uma vez que necessitava de um povo passivo e que se deixasse explorar facilmente. E foi a luta contra os narcóticos o primeiro passo para a independência da China.

Segue a letra e o vídeo da música “É Assim Que Me Querem”, do IRA!, que esperamos seja lembrada e cantada como um exemplo de uma visão correta acerca do tema:

Vídeo:

 

É Assim Que Me Querem - IRA!

Composição: Edgard Scandurra

 

Estou sonhando de olhos abertos

Estou fugindo da realidade

Todas as cervejas já bebi

Todos os baseados já fumei

O que há de errado no mundo

Meus olhos já não podem ver

Eu estou do jeito certo

Pra qualquer compromisso assumir

É assim que me querem

Sem que possa pensar

Sem que possa lutar

Por um ideal

É assim que me querem

Ao ver na TV todo o sangue jorrar

E ainda aprovar

A pena capital

A pena capital

Estou sonhando de olhos abertos

Estou fugindo da realidade

Todas as cervejas já bebi

Todos os baseados já fumei

E o que há de errado no mundo

Meus olhos já não podem ver

Eu estou do jeito certo

Pra qualquer compromisso assumir

É assim que me querem

Sem que possa pensar

Sem que possa lutar

Por um ideal

É assim que me querem

Ao ver na TV todo o sangue jorrar

E ainda aprovar

A pena capital

A pena capital

É assim que me querem

É assim que me querem

E me vendem essa droga

E me proibem essa droga

Para os desavisados poderem

pensar que o governo combate

Invadindo a favela

Empunhando fuzis

Juntando dinheiro corrupto para a platina no nariz

É assim que me querem

Sem que possa pensar

Sem que possa lutar

Por um ideal

É assim que me querem

Ao ver na TV todo o sangue jorrar

E ainda aprovar

A pena capital

A pena capital

É assim que me querem

É assim que me querem

É assim que me querem

É assim que me querem

É assim que me querem

 



 

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