Era uma terça-feira, 13 de Outubro. O conselho de segurança da ONU ratificou, então, mais uma agressão aos povos dentre tantas que este comitê internacional de senhores da guerra provocou e continua provocando em todos os continentes do planta: por mais um ano a Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti) que é (sub) comandada militarmente pelo Brasil tem autorização para seguir reprimindo, saqueando, violentando e agredindo o heróico povo haitiano.
Inaugurada após o golpe, articulado pela embaixada ianque, que derrubou o então presidente Jean Bertrand-Aristides a ocupação militar já dura cinco anos. E é embasada no capítulo VII da Carta da ONU que prevê ocupação para “impor a ordem”. A favor de quem é essa “ordem”, imaginem! Até o fim do ano a União despenderá, segundo o Ministério da Defesa, 700 milhões de reais para custeio de despesa das suas tropas naquele país. O Brasil mantém aproximadamente 1.200 militares no Haiti (trocados a cada seis meses) do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha.
A quê (e a quem) serve a ocupação do Haiti:
O Exército Brasileiro atua como polícia da ordem imperialista no Haiti. Na prática, como tropa de choque dos ianques (enpantanados no Iraque e Afeganistão) no nosso vizinho latino-americano.
O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente e um dos poucos em que esse processo contou realmente com uma autêntica participação popular. Os escravos negros haitianos expulsaram os franceses e já no século XVIII proclamavam a necessidade de unificar sua nação. Não obstante, o país permaneceu sempre brutalmente espoliado e violentado por sucessivas ocupações estrangeiras e golpes e contragolpes internos, gerando governos cada vez mais sanguinários e requintados nas formas mais bárbaras de massacrar o povo.
De 1915 a 1934 o USA ocupa militarmente o país. Em 1957 assume o poder um dos mais bárbaros ditadores das Américas, com a benção, claro do Tio Sam: François Duvalier, mais conhecido por Papa Doc. Morto em 1971 foi substituído por seu filho Baby Doc. Em 1986 Baby Doc é deposto, foge do Haiti e é substituído por uma junta militar. Em 1990 assume, via eleições “livres”, o padre Jean Bertrand Aristide o mesmo que será deposto e substituído pela atual ocupação militar, em 2004.
A pobreza extrema é uma das marcas indeléveis deste rico país. 80% da população é considerada miserável. Todos os dias falta luz na capital Porto Príncipe. Em virtude da fome crônica existe um hábito naquele país que certamente nos chamará atenção: o de comer biscoitos de barro. 19% dos domicílios têm acesso à rede sanitária e apenas 58% à água potável. O salário mínimo equivale a 1,75 dólares diários, ou seja, menos de 90 reais por mês. As indústrias têxteis, transnacionais principalmente, têm se beneficiado enormemente dessa mão-de-obra semi-escrava. Não é à toa que, enquanto o povo é enterrado em uma condição de catástrofe social, estão sendo instaladas dezoito zonas francas naquele país, para abrigar sobretudo empresas ianques.
Devemos destacar em parágrafo à parte, para que fique evidente, que a empresa têxtil Coteminas, do vice-presidente morto-vivo José Alencar está em processo de instalação no Haiti. O motivo é óbvio: por tabelas oficiais (sempre flexíveis para baixo, portanto), uma costureira em Porto Príncipe recebe por hora o equivalente a 0,50 dólares contra 3,27 no Brasil e 16,92 dólares nos Estados Unidos.
Criminalização da pobreza lá e aqui:
Recentemente a Ordem dos Advogados do Brasil enviou um de seus conselheiros, Aderson Bussinger, a visitar aquele país. Segundo Bussinger, em seu relatório, a Minustah nada mais é que "uma força de ocupação e não humanitária, que está validando os abusos de direitos humanos no país caribenho e contribuindo para um estado de permanente repressão”. Como simples polícia, cão de guarda que sempre foi e é, o Exército “Brasileiro”, segundo o advogado, “atua dando retaguarda para a polícia nacional. A polícia entra agredindo e a Minustah depois, dando suporte. Mas também recebemos denúncias sobre agressões dela”. Declara, finalmente: “A minha conclusão é que a missão da ONU não tem nada de humanitária. É uma missão de muita violência e agressão”.
O serviçal do imperialismo Lula, enquanto mantém tropas no Haiti, participa diretamente do diuturno massacre contra a população pobre do Brasil, agora com o pretexto “olímpico”. Pois bem. Para quem acha que essa é apenas uma analogia da nossa parte, uma comparação unilateral que fazemos, eis o que diz o Coronel da reserva Cláudio Barroso, ex-comandante da missão no Haiti, na revista Tecnologia & Defesa nº 116:
“O Haiti pode ser visto como um campo de provas, onde aplicaríamos e aperfeiçoaríamos fundamentos doutrinários da organização (pessoal e material) de preparo (capacitação específica) e do emprego (como conduzir operações)”.
A juventude brasileira não pode fugir ao seu verdadeiro dever de denunciar incansavelmente a agressão ao povo do Haiti, de exigir o imediato fim da ocupação sub-comandada pelo Brasil e de defender o direito do povo do Haiti rebelar-se contra a mesma. O ataque ao povo haitiano é um ataque contra todos os povos latino-americanos, mais um entre tantos comandados desde o USA e cumpliciados por governos lacaios como os de Luis Inácio.
Exército Brasileiro: Tropa de Choque dos ianques no Haiti!
Abaixo a agressão ao povo haitiano!
Rebelar-se é Justo!
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