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Apple e a verdadeira face do capitalismo "moderno"

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Apple: a verdadeira face do capitalismo “moderno”:

iPod

Recentemente, quando da morte de Steve Jobs, fundador da gigante de informática Apple, muita apologia se fez sobre seu caráter “genial”, sobre sua atividade “empreendedora” e, evidentemente, sobre a “revolução” produzida pela criação dos iPhones e iPads. Esses são, na verdade, a última palavra no que diz respeito à sede de consumo sobretudo na Europa e Estados Unidos, atualmente.

É evidente também, por outro lado, que todo esse discurso (como qualquer discurso) está impregnado e é inseparável de ideologia. No caso, a ideologia burguesa, claro. Sim, a burguesia precisa criar e ressaltar os seus heróis, os seus modelos de homens modestos que, com “muito esforço e inteligência”, conseguiram “vencer na vida”. Antes de Jobs foi Bill Gates, e assim vai. Na verdade, segundo essa lógica surrada, o “primeiro burguês”, e todo o sistema capitalista conseqüentemente, teria resultado da austeridade e parcimônia de homens que trabalhavam muito e poupavam muito, enquanto os pobres seriam pobres por não serem capazes de economizar, levarem uma vida promíscua –aqui no Brasil, a figura do “malandro” que mora no morro –e assim por diante.

 

No seu tempo, falando da acumulação primitiva, Karl Marx liquidou completamente esse mito. Na verdade, a necessidade de permanente e crescente acumulação é uma característica básica do capitalismo, inalterável enquanto esse sistema de exploração do homem pelo homem existir sob os céus.

Linha_de_montagem_em_uma_fbrica_da_FoxConn

Superexploração e suicídio nas fábricas

Há poucos dias o jornal britânico “Daily Mail” divulgou um relatório encomendado pela própria Apple sobre a situação de suas fábricas na China. A realização do relatório foi motivada devido a ocorrência de sucessivos suicídios nas suas instalações industriais naquele país. O inquérito constatou que, em 2011, todas as três fábricas ultrapassaram o padrão das 60 horas de trabalho por semana e das 36 horas extras máximas, durante um mês (Observem que na China a jornada semanal é de 60 horas, enquanto no Brasil é de já massacrantes 44!). Houveram funcionários que chegaram a trabalhar mais de 76 horas semanais, ou por 11 dias seguidos. A administração dessas fábricas corresponde à gigante Foxconn, que além de ser o mais importante fornecedor da Apple, também produz metade dos consumíveis eletrónicos mundiais, fornecendo artigos para outras gigantes como Sony, Nintendo e Hewlett Packard.

Nessas instalações, onde a Apple produz 90% dos seus produtos, foi verificada uma sequência de suicídios e graves lesões, resultantes, além da extensa jornada de trabalho e dos baixos salários, da insalubre condição do ambiente de trabalho. Em outra reportagem, o New York Times revelou que alguns trabalhadores que fazem os iPads e os iPhones ficam tanto tempo de pé que “as pernas incham tanto, que mal conseguem andar”. Entre 2009 e 2011 ao menos 19 funcionários da Foxconn suicidaram-se ou tentaram pôr fim à vida. Aliás, é preciso alertar aos leitores para que tenham sempre muito cuidado com dados oficiais emitidos por regimes fascistas como o que governa atualmente a China.

Lucro Máximo, a lei fundamental:

Diante das denúncias, representantes da Apple e do governo chinês prometeram “rever” as condições de trabalho dos milhares de operários empregados nas fábricas da Foxconn. Tudo não passa de demagogia, evidentemente. E não se trata, como querem fazer crer determinados “críticos” dessa brutal exploração –mas que não saem dos marcos de exigir uma “humanização do capitalismo” –de um problema moral, ou de uma exceção, mas sim da inexorabilidade de uma lei fundamental: a do lucro máximo. Como bem caracterizou o camarada Stalin:

“Existe uma lei econômica fundamental do capitalismo? Sim, existe. Que lei é esta? Quais são seus traços característicos? (...) Os traços principais e as exigências da lei econômica fundamental do capitalismo moderno poderiam formular-se, aproximadamente, como segue: assegurar o máximo lucro capitalista, mediante a exploração, a ruína e a pauperização da maioria dos habitantes do país dado, mediante o avassalamento e o saqueio sistemático dos povos de outros países, principalmente dos países atrasados, e, por último, mediante as guerras e a militarização da economia nacional, às quais se recorre para assegurar o máximo de lucro”. (J.V.Stalin, “Problemas econômicos do socialismo na URSS”, 1952. Grifo Nosso).

 

Sim, não pode haver acumulação de capital, sobretudo a exponencial acumulação própria da época do capital financeiro e dos monopólios, sem um agravamento da situação de trabalho e vida das massas trabalhadoras. Toda a “pujança econômica” da China está assentada na base da superexploração de seus trabalhadores, e é exatamente em busca das altas taxas de mais-valia que transnacionais como a Apple decidem instalar-se num ou noutro país. O que existe nas fábricas chinesas também ocorre na Índia, no Vietnã, ou no Brasil (ver o caso das obras do PAC). E a procura do lucro máximo não determina apenas a exploração no chão da fábrica: ela é o que explica guerras de agressão, como as perpetradas pelos ianques no Iraque e Afeganistão, ou a devastação econômica que vemos atualmente na Grécia, é o que determina a necessidade de operar, de tempos em tempos, nova partilha do mundo através de guerras imperialistas de maior abrangência, etc.

Pretender “humanizar” o capitalismo, por meio simplesmente de legislação ou da “conscientização” desse ou daquele capitalista, mediante a podre teoria do consumo “sustentável” ou “consciente” não pode passar de ingenuidade ou da mais pura enganação. A única forma de pôr fim, realmente, à brutal exploração da imensa maioria dos habitantes da Terra, às guerras imperialistas, à fome e à miséria é acabando, destruindo, o sistema imperialista. E isso se fará apenas pela revolução.

Apesar_do_regime_fascista_se_multiplicam_na_China_as_greves_contra_as_pssimas_condioes_de_trabalho._Na_foto_greve_da_empresa_Hi-P_em_Xangai_tambm_fornecedora_da_Apple

 

 

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