Estudantes, professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp prosseguem em greve
A ampla mobilização nas universidades estaduais paulistas segue com todo vigor. Na USP, os três segmentos fizeram Assembléias próprias no último dia 23 e aprovaram a continuação da greve.
Protestos
Após a repressão da Tropa de Choque (9 de junho) tem crescido o apoio à luta. Na noite do mesmo dia do confronto, os estudantes fecharam a principal avenida do campus da USP e realizaram uma assembléia com mais de 1.000 presentes. O DCE (pstu/psol) que, falando de luta pratica a desmobilização, foi repudiado pelo enorme número de estudantes presentes na Assembléia: foi exigido e realizado a destituição deles da mesa da Assembléia.
Desde então tem crescido o protesto popular. No dia 12 estudantes e professores da Unicamp decidiram pela greve como forma de repúdio à presença da polícia militar na USP.
Vários protestos foram realizados dentro e fora das Universidades. Amanhã, dia 25, mais um ato será realizado. A exigência é clara: saída da PM e destituição da reitoria Suely.
Exigimos a readmissão de Brandão
Com a greve e os combativos protestos realizados a Justiça ficou pressionada e entregou uma liminar no dia 15 à reitoria da USP, determinando a readmissão do presidente do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Claudionor Brandão. Entretanto, com a articulação de alguns burocratas, rapidamente a liminar foi cassada e a reitoria não está mais obrigada a readmitir o companheiro, que trabalha na instituição desde 1987 como técnico em manutenção de refrigeração.
A readmissão de Brandão, demitido por perseguição política no fim de 2008, é uma das reivindicações da greve. Esta é uma reivindicação política importante porque defende não só o direito ao trabalho do funcionário, como defende o princípio democrático de liberdade de expressão e organização de cada um dentro da Universidade. Pois o que a reitoria fez foi demitir uma pessoa que se opõem às suas políticas e às políticas do governo, utilizando o pretexto de que ele causou “dano ao patrimônio público”.
Combater o oportunismo para avançar na luta
Em meio ao cenário de combatividade e aumento do protesto, os oportunistas se apressam para entrar em ação: pintam-se de vermelhos para enganarem quem está na luta e praticarem sua política amarela de conciliação e traição.
No ato do dia 18/06 que reuniu vários milhares de estudantes, professores e funcionários, o oportunismo que está no controle do DCE da USP (PSTU/PSOL) e de outras entidades mostrou sua cara: no carro de som (que como de costume fica sob controle restrito) houve pouquíssimo espaço para os verdadeiros lutadores e lugar de sobra para governistas da CUT e UNE se pronunciarem. Além destes governistas, parlamentares do PSOL e outros pelegos, futuros candidatos, também fizeram sua propaganda eleitoreira no carro de som.
Enquanto vários milhares de pessoas estão em greve e realizando diariamente atividades para realmente conquistar democracia na Universidade e expulsar a polícia, estes oportunistas (óbvio!) têm outros interesses. CUT (PT) e UNE(PT-PCdoB) têm interesse em desgastar Serra (governador do estado pelo PSDB) para, ano que vem, disputarem este cargo. Os outros oportunistas de partidos eleitoreiros aproveitam estas ocasiões para ligarem seus nomes à luta do povo e assim perpetuar seus cargos de parlamentares ou tentarem conseguir um nas próximas eleições.
Os estudantes não podem ter qualquer tipo de ilusão com o oportunismo. CUT e UNE (PT/ PCdoB) (que integram o governo vende-pátria de Luiz Inácio) devem ser proibidas de participar de manifestações. Seus objetivos são outros! Não pode haver unidade com eles! Dizem-se contra a política de José Serra apenas por motivos eleitorais! – tanto é que defendem a mesma política de ensino à distância, e outras de privatização do ensino, promovida por Luiz Inácio!
É preciso continuar a greve, mantendo sua combatividade e garantindo a independência frente a governos, reitorias e projetos eleitoreiros.
Viva a Greve das Estaduais Paulistas!
Abaixo o oportunismo!
Fora PM! Fora Suely! Exigimos Democracia!
Rebelar-se é Justo!
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