Breve relato dos últimos acontecimentos
As reuniões de construção do EFEPe, que vinham acontecendo há pelo menos dois anos, e que tomaram novo impulso após a ocupação da reitoria na UERJ, estão sendo feitas por estudantes de diversas universidades, dos quais, alguns sempre presentes e outros com limitada participação (não só porque comparecem às reuniões de discussão e deliberação esporadicamente, mas porque dificilmente cumprem alguma determinação no sentido de concretizar o Encontro).
Para quem tem participado efetivamente das reuniões de construção do EFEPe fica muito claro o avanço e o tempo que dedicamos a nos encontrar, discutir e correr atrás de tudo o que tem sido deliberado em determinados prazos. O Encontro, que inicialmente estava marcado para os dias 13, 14 e 15 de novembro, teve que ser adiado para os dias 9, 10 e 11 de abril, principalmente pela dificuldade em conseguir um local, visto que no final do ano ocorrem as provas dos vestibulares em quase todas as universidades. Mesmo sendo adiado, a comissão organizadora, que já havia iniciado a divulgação do Encontro entre os estudantes, contando, inclusive, com a participação de alguns palestrantes, decidiu manter toda pauta do evento, visto que esta foi decidida, em reuniões previamente divulgadas, de forma absolutamente democrática, entre todos os presentes e que seria inviável ficar discutindo isso em todas as reuniões, o que inviabilizaria o Encontro. O tema do Encontro ficou definido como “A atuação do(a) pedagogo(a) nos movimentos populares”, que segue sendo o tema da mesa de abertura, a fim de ampliar a discussão a respeito dos locais de atuação do pedagogo em função das demandas sociais, e, a 2ª mesa leva o nome de “A luta contra a reforma universitária”, refletindo as últimas mobilizações e lutas estudantis que sacudiram o país contra as medidas de sucateamento e privatização do ensino público.
Essas reuniões e o trabalho ininterrupto da maioria dos estudantes que estavam efetivamente participando da construção do Encontro culminaram em significativos avanços, com adiantadas pautas de discussão, com a estrutura e a organização do Encontro exaustivamente discutidas e bem definidas, materiais garantidos, etc., quando um grupo de estudantes da UERJ e da FFP, comprometidos com os interesses do PT e da UNE, chega a uma reunião de planejamento mais executivo (questões como divulgação, arrecadar finanças para baratear o custo das inscrições, etc.) resolvendo modificar a estrutura do Encontro, após todos esses esforços, comprometendo dessa forma o andamento dessa reunião e do EFEPe.
Após inúmeras discordâncias, procurando passar por cima das deliberações anteriores do grupo que construiu até agora esse Encontro, tumultuando a reunião, não respeitando falas, inscrições, pontos de pauta, depois de repetidas provocações sem obter nenhum sucesso, um deles partiu com os punhos cerrados para cima de um militante do MEPR. A fim de garantir sua integridade física e a realização do Encontro os militantes do MEPR responderam à tentativa de agressão em sua legítima defesa. Ao contrário de alguns, estamos comprometidos com o movimento estudantil verdadeiramente democrático e independente politicamente, e não assistiremos o Encontro que tantos estão lutando por concretizar se tornar palco de oportunistas que quando não conseguem impor suas pautas fazem o possível para que este não aconteça.
A construção do EFEPe e o papel dos oportunistas
Enquanto trabalhávamos nas reuniões os assuntos de maior interesse para os estudantes e para a sociedade, buscávamos garantir o local do Encontro, conseguíamos o apoio de sindicatos para rodar cartazes, arrecadávamos materiais a serem distribuídos no ato de inscrição, falávamos com palestrantes, pesquisávamos valores baixos para a alimentação, e etc., onde estavam esses estudantes oportunistas, qual tem sido sua contribuição para o Encontro?
Qual tem sido, aliás, sua postura no movimento estudantil em geral, como se dá sua participação nos fóruns e encontros nacionais? Quando muito se resumem a aparições na plenária final, transformando os encontros em seções de turismo e festas, realizando leilões de homens, festas regadas a bebidas e drogas, criando um ambiente hostil de provocações, fugindo das discussões políticas que ocorriam nas mesas e grupos de discussão.
Que representatividade é esta que estes estudantes julgam ter? Representam os interesses de quem no movimento estudantil? Quantas assembléias, quantos debates esses estudantes tem organizados em suas universidades, como eles são vistos por lá?
O papel da UNE (PT/PcdoB) no movimento estudantil
São esses mesmos estudantes que estufam o peito para pedir “democracia” que na UFRJ fizeram cordão de isolamento junto com a segurança da reitoria e com a polícia a fim de impedir a manifestação dos estudantes e possibilitar a votação do Reuni. São estes estudantes que, empoleirados nos CAs de algumas universidades, se dizendo representantes estudantis não realizam debates, assembléias, reuniões, não passam em turma, não convocam os estudantes para decidir como preencher as vagas no ônibus que vai ao FoNEPe, dizendo, na UERJ, que o critério foi simplesmente ser do CA, para chegar no fórum representando que decisões dos estudantes? Já que estes nem a par ficaram da saída de um ônibus, quanto mais da pauta do evento. Aliás, são estes mesmos estudantes que há dois anos atrás, nas eleições de CA agrediram outros estudantes da chapa de oposição. São esses estudantes que, onde não conseguem impor sua vontade, implodem e procuram impedir qualquer mobilização de justa luta estudantil.
Em conclusão
Não permitiremos que um pequeno grupo que não discute em suas bases, que não constrói o moimento estudantil, que não representa nenhum estudante, aparelhe o movimento estudantil de pedagogia, não jogaremos fora tudo o que já foi conquistado, os avanços de nossas bandeiras de luta, não veremos os nossos esforços em construir um encontro que sirva aos interesses dos estudantes e que esteja verdadeiramente a serviço de nosso povo, ser transformado em propaganda barata para este governo oportunista que como nenhum outro massacra o povo pobre nas favelas das cidades e no campo.
É tarefa dos estudantes não se deixar enganar por estes que berram na lista de e-mail regional, se fazendo de vítimas, os mesmos que há anos agridem os estudantes, que nada mais fazem senão chamar a polícia, representante de seu governo para reprimir os estudantes. Bem como é bom que fique bem claro que nenhum de nós, em hipótese alguma aceitará gratuitamente provocações baratas e ameaças de qualquer tipo, nem a nós e nem a qualquer outro estudante independente e interessado em construir.
Sabemos que esta é uma atitude desesperada de quem vê o movimento estudantil como propriedade privada e sente que está perdendo o controle. Não podemos nos deixar levar nem por suas falácias, nem por suas provocações e devemos sim, mobilizar o maior número de estudantes que pudermos a fim de realizar o melhor Encontro que o Rio já teve, pois condições não nos faltam.
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