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Estudantes visitam Área Revolucionária no Norte de Minas

Entre os dias 15 e 22 de janeiro, o MEPR organizou mais uma ida ao campo em uma Área Revolucionária da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia.

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A luta dos camponeses atravessa séculos de dura repressão por parte do velho Estado brasileiro, que joga com o isolamento da luta pela terra para levar a cabo sua política de genocídio (como o Massacre de Corumbiara (RO) em 1995 e Eldorado dos Carajás (PA) em 1996). Por isso é fundamental o apoio dos trabalhadores da cidade e em especial dos estudantes, seja colando cartazes, distribuindo panfletos, ou mesmo e mais importante, indo ao campo para conhecer a realidade na prática e impulsionar a organização camponesa, sobretudo da juventude.  Denunciar as perseguições, os assassinatos e ao mesmo tempo divulgar e exaltar, quando em qualquer quinhão de nosso país mais famílias tomam terras, destruindo mais um pedaço do latifúndio, é dever de todo jovem revolucionário!

Era com esse o espírito que estavam imbuídos os estudantes de Goiânia e Brasília (estudantes de Direito, Serviço Social, Ciências Sociais, Engenharia Elétrica e Física) ao chegarem à Área no Norte de Minas.

SAM_3334_-_Cpia A situação do povo pobre no campo empurra todos os estudantes democráticos a apoiar a luta pela terra. Enquanto o imperialismo atravessa sua crise tentando aumentar a exploração do nosso país “emergente”, o que emerge é a opressão do latifúndio (de velho e de novo tipo) sobre os camponeses. O governo oportunista de Dilma coloca à disposição do latifúndio todo o aparato do velho Estado: contra as ocupações de terras e lutas mais consequentes como a de Corumbiara, manda a polícia e o exército reprimirem; aos bandos de pistoleiros do latifúndio e seus mandantes, oferece a impunidade; ao agronegócio, os infinitos subsídios do BNDES; aos “crimes ambientais” dos fazendeiros, a anistia do novo Código Florestal. Enquanto isso os camponeses pobres lutam por um pedaço de terra ou para seguir trabalhando nela.

Mas ao tempo em que se aprofundam as contradições de classes no campo, cresce a organização do movimento camponês combativo. Este corta as terras, as distribui e aponta o único caminho para conquistá-las de uma vez por todas: a destruição do latifúndio e a libertação das forças produtivas nas áreas tomadas, através do trabalho coletivo, da mecanização da produção, tudo garantido pelo poder das massas, e não pelo INCRA ou qualquer outro órgão do Estado burguês-latifundiário.

Dessa forma, além de permanecerem na terra, os camponeses constroem ali algo que interessa a todo o povo brasileiro, incluindo os estudantes: uma nova economia, produzindo o que o povo do país necessita ao invés de cana e soja para exportação, uma nova cultura, que o instrua e faça florescer em suas mãos a cultura popular, uma Nova Democracia exercida pelas massas, cujo embrião está nas Assembleias Populares das Áreas Revolucionárias.

O dia a dia da visita

Na Área visitada, é em baixo de um pé de umbu que os camponeses se reúnem para discutir os problemas e decidir os rumos do trabalho. No primeiro dia, reunidas cerca de 35 pessoas na Assembleia, os camponeses saudaram o grupo estudantil e formou-se uma mesa com os coordenadores da Área, representantes do MFP, do Grupo de jovens e um companheiro do movimento estudantil. A Assembleia iniciou com todos cantando o hino “Conquistar a terra”.

Ao tomarem a palavra, os camponeses mostraram a situação da Área. Falaram das tentativas de organização do trabalho coletivo, contando atualmente com um Grupo de Pimenta e um de Mel. Foi ressaltado também que é preciso mobilizar a juventude para que ela continue na luta. Nesse sentido, os jovens da Área formaram corajosamente um grupo de teatro, e os estudantes também os convidaram para ensaiar uma peça.  Outra ideia, levada pelos estudantes, e que era um sonho dos camponeses, foi a da construção de um campo de futebol. Ao final, foi feito um plano das atividades da semana.

O trabalho com o Grupo de Pimenta capinao_com_o_grupo_coletivo_de_pimenta_2

Na terça-feira, como no resto da semana, o dia começou bem cedo e durante toda a manhã os estudantes lançaram-se ao trabalho com os camponeses, ajudando a capinar a área destinada à plantação do grupo de pimenta. Muitos não sabiam trabalhar com a enxada, porém, como se diz, aprenderam a fazer fazendo, ou seja, com a prática. Com tantos companheiros trabalhando juntos, rapidamente uma grande área já estava limpa, provando como o trabalho coletivo é muito mais produtivo que o individual.

Na quarta-feira pela manhã, voltaram ao local e capinaram mais uma grande porção de terra, desta vez em bem menos tempo. Depois, visitaram a roça do companheiro coordenador da produção, que mostrou suas plantações de milho, amendoim, mamona, criação de porcos, etc. O companheiro falava sobre as dificuldades de produzir sem muita mecanização, mas que isso não o impedia de plantar 3,5 hectares de milho que logo serão colhidos.

Despertar a fúria revolucionária da mulher!

Ainda na terça à tarde, as companheiras, do movimento estudantil e uma camponesa, mobilizaram as mulheres da Área para uma reunião do Movimento Feminino Popular. Quando as chamaram nas suas casas, fizeram questão de que fossem todas, independente da idade. Na reunião, as mulheres relataram como vêm rompendo com o machismo (nelas e nos companheiros), deixaram claro que é fundamental para isso a participação delas na produção, e lembraram que a mulher também deve ter sua independência econômica. Foi destacado ainda o caráter do Movimento Feminino Popular de impulsionar as mulheres na luta junto com os homens de sua classe, e não contra eles.

As massas podem tudo!

A ideia de fazer o campo de futebol foi acolhida com imensa alegria pelos camponeses. No local onde seria o campo, havia uma árvore tombada e uma cerca de arame farpado. Ainda na segunda-feira, após a Assembleia Popular, os companheiros da Liga arrumaram alguns machados e lá foram os estudantes e camponeses cortar e tirar a árvore do lugar e remover a cerca. Mais uma vez, todos juntos fizeram o serviço sem demora. O resto do trabalho, capinar o campo e levantar as traves dos gols foi feito no dia seguinte pelos companheiros que não estavam na reunião do MFP. Camponeses que passavam pararam para ajudar e até crianças se envolveram.

Com o campo pronto, foram formados os times: Estudantes X Camponeses, masculinos e femininos. As risadas e brincadeiras expressavam a felicidade com a novidade. Há muito tempo queriam um campo de futebol, e bastou um empurrão para fazê-lo aparecer.

Um pouco mais tarde, uma companheira de outra Área exibiu aos presentes o vídeo de uma ótima apresentação do grupo teatro “Servir ao Povo”, da sua Área, com uma peça chamada “A aldeia Tatchai”

Na quarta-feira à tarde, foi a vez do grupo de teatro da Área se apresentar. A peça mostrava como muitas vezes prevalece o preconceito entre a juventude, ao invés do companheirismo. Os camponeses disseram que o tema retratava suas vidas, pois sofrem muito preconceito, mas conseguem reverter a situação quando apresentam na cidade sua produção de milho, frutas, mel, etc.

Depois, mais futebol. Quando anoiteceu, os estudantes fizeram uma fogueira e foram chegando os camponeses. Em volta do fogo todos conversavam, comiam e tocavam violão, numa alegria e companheirismo que emocionava. Da casa de um companheiro surgiu uma pequena televisão e foi exibido o filme “Memórias Clandestinas”, que fala sobre a história das Ligas Camponesas do Nordeste.

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Na quinta-feira os estudantes saíram com uma companheira da área para visitar as famílias em suas casas. Nas conversas, os camponeses sempre diziam que preferiam morar no campo que na cidade. Apesar das dificuldades, no campo eles produzem, não vão passar fome e têm onde morar. Muitos ali, quando moravam na cidade, viviam na miséria das favelas e sofriam com a falta de emprego.

Mas até mesmo para plantar sua roça há dificuldades, como a perseguição ambiental que atinge todos os camponeses do Norte de Minas e sudoeste da Bahia. Os camponeses relataram que, depois de ocuparem a terra, quando não foi a Polícia Militar que apareceu, foram agentes do IEF (Instituto Estadual de Florestas) levando ameaças e impondo multas absurdas. O Estado tenta proibir os camponeses de trabalhar com o pretexto de que as matas que eles têm que derrubar são intocáveis, classificando a Mata Seca como parte do Bioma da Mata Atlântica.

Resumindo, como em todo o Brasil, os latifundiários que desmatem à vontade, e para as mineradoras todos os recursos minerais. Já o povo pobre, quando tem terra, está proibido de trabalhar nela. Mas para os camponeses do Norte de Minas essa lei não vale e logo eles vão colher suas plantações de milho, entre outras.

O Grupo Rainha do Mel

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Pela tarde os estudantes conheceram o trabalho do Grupo de mel. Foi um dos maiores momentos na Área, pois os camponeses apresentaram toda a técnica do trabalho com o mel, dominada apenas com a própria experiência, e os estudantes viram o processo desde o apiário, recolhendo a caixa entre as abelhas, passando pela centrífuga dos favos até coar o mel e engarrafá-lo. O orgulho do trabalho era maior ainda pelo avanço nos meios de produção do mel e domínio da técnica, pelos planos de extrair o própolis, e o fato de o grupo ser o único da região que produz a cera necessária para fazer as telas onde as abelhas depositam o mel. Os litros com o selo da Área saem dali e são compradas pela própria Liga a um preço justo, para serem vendidas. No fim, o resultado foi gratificante e cada estudante levou uma garrafa de mel para casa.

A peça “João Boa-Morte”

À noite, o grupo de teatro se reuniu com os estudantes para ensaiar a peça que estes levaram, baseada no poema “João Boa-Morte”, de Ferreira Gullar. A peça seria apresentada no sábado, após um almoço coletivo. O ensaio envolveu os jovens e crianças e foi marcado por muitas risadas. Até o sábado, o grupo ensaiou mais vezes a apresentação e dali se criou uma sincera amizade com a juventude camponesa.

Desde os primeiros dias da semana, as crianças da Área cercavam os companheiros para brincar e cresceu o carinho entre eles. Brincavam de cobra cega, pique bandeira, capoeira, etc. Na sexta-feira pela manhã os estudantes distribuíram tinta, papel e pincéis entre as crianças, e o resultado foram muitos desenhos com imagens do dia a dia na Área. O tempo todo se ouvia as risadas dessas crianças que são o futuro da luta do povo.

No sábado todos estavam reunidos para o almoço coletivo, ajudando a preparar a comida, jogando bola ou brincando com as crianças. Depois do almoço, o grupo de teatro e os estudantes apresentaram a peça, e esta terminou com uma saraivada de foguetes que surpreendeu os atores e a plateia. Em seguida, todos se reuniram para ler textos sobre a situação política e da luta pela terra no Brasil.

No domingo, o clima já era de saudade. À tarde os camponeses foram se despedir do grupo de estudantes que estava para ir embora. Após uma professora da Área ler a ata da semana, não teve como segurar a emoção, e os estudantes afirmaram que voltariam para as suas cidades com mais ânimo ainda para realizar seus trabalhos e propagandear a luta dos camponeses e a Revolução Agrária. Emocionados, todos cantaram o hino do proletariado, A Internacional. Na despedida, o sentimento ao abraçar cada um foi ao mesmo tempo de tristeza por ir embora, mas de orgulho e alegria por ter estado ali e voltar sabendo que tem em cada camponês um companheiro de luta!

 

DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE, SERVIR AO POVO NO CAMPO E NA CIDADE!

VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL POPULAR REVOLUCIONÁRIO!

VIVA A CULTURA POPULAR!

TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!

VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA!

 

Comentários  

 
0 #6 revolução agráriaGutembergue 06/03/2012 10:28
muito importante estudantes irem participar e colaborar com a revolução agrária, somente vendo com os próprios olhos pude compreender realmente o que é a revolução agrária que não tem nada a ver com a reforma agrária proposta pelos governos de plantão lacaios do imperialismo estadunidense.
viva a revolução agrária!
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0 #5 tese agrariaAmanda UFRR 16/02/2012 21:26
inicei a leitura da tese , uma dúvida o que é exatamente capitalismo burocratico ?

obg comps pela indicação da rese
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+2 #4 Servir ao povo de todo o coração!Nordeste 16/02/2012 17:11
Companheiros, é muito importante que os estudantes democráticos e que tenham disposição para mudar esta realidade do nosso povo, seja no campo ou na cidade, camponeses ou operários, forjar-nos no calor do trabalho e da luta!

viva a revolução agrária!
viva a luta combativa dos estudantes brasileiros!
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0 #3 RespostaMEPR.adminstrador 15/02/2012 18:37
olá Amanda indicamos a leitura desta nossa tese sobre a revolução democrática:
www.mepr.org.br/jep/13/76.html

Qualquer dúvida pode nos enviar um email.

.br
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0 #2 viva a revolução !Amanda Roraima 14/02/2012 07:01
destruir o latifúndio e mt importante para a revolução gostaria de saber mais ?
derrubar os muros da universidade servir ao povo do campo e da cidade ?

Amanda UFRR
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0 #1 demaisgustavo 12/02/2012 20:16
otima a visita a uma area camponesa suadações revolucionarias comp !
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