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Resultado das eleições para o DCE da UnB:a direita sobe a escada construída pelo oportunismo

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Ocorreu nos dias 5 e 6 de dezembro de 2012 mais uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães da UnB. O pleito contou com a participação de seis chapas que concentraram algumas das forças e tendências do Movimento Estudantil na universidade. Concorreram a chapa Aliança pela Liberdade, grupo com posicionamento liberal-conservador e reacionário, que havia conquistado a direção da entidade nas últimas eleições e que obteve a reeleição; a chapa Troll, coletivo que surgiu recentemente na universidade, diretamente atrelado a ascensão das organizações estudantis de direita, e que durante as assembleias e as eleições atuou com o objetivo de ridicularizar da maneira mais desrespeitosa o Movimento Estudantil, aparecendo nos debates com máscaras, realizando falas que não faziam sentido e utilizando outras formas absurdas de intervenção com o suposto intuito de criticar as práticas do Movimento Estudantil; representaram nas eleições e representam na prática o setor mais despolitizado e conservador da universidade, reunindo estudantes que não demonstram a menor preocupação com os problemas mais urgentes da universidade, nem tampouco com as necessidades mais sentidas pelo povo brasileiro. Também concorreram ao DCE a chapa Atitude Coletiva, chapa Bloco na Rua e chapa Honestinas, que com diferentes níveis de intensidade e clareza, congregavam diferentes setores do governismo da UNE, e chapa Nada é Impossível de Mudar, propagandeada como a chapa conformada pela unidade entre “amplos setores da esquerda na universidade”, com militantes do PSTU, PSOL e PCB.
A vitória da chapa Aliança pela Liberdade, grupo que representa o mais crasso e nefasto conservadorismo dentro do Movimento Estudantil na Universidade de Brasília, foi pautada em propostas reacionárias como a privatização da universidade, através, por exemplo, do apoio às fundações privadas que direcionam a pesquisa e se apropriam do conhecimento produzido no espaço público das universidades, utilizando-o para enriquecer ainda mais os grandes industriais e empresários que estão por trás dessas instituições. As fundações, além de serem espaços comprovados de desvio de verbas e produção de esquemas de corrupção, também reforçam a exploração da classe trabalhadora e fazem com que a universidade negligencie o tratamento dos problemas mais prementes do povo brasileiro que é quem financia, com o suor de seu trabalho, a universidade pública. A chapa vitoriosa também apoia as empresas juniores, que descaracterizam a dimensão pública da universidade desde a formação dos estudantes, integrando-os em processos e práticas privatistas de produção e apropriação do conhecimento. Outro ponto fundamental presente na proposta do grupo reconduzido a direção do Diretório Central é a defesa da repressão ao movimento estudantil combativo, uma vez que advogam a presença da Polícia Militar no campus. Preocupados com a segurança de seus veículos e bens, não percebem, ou fingem não perceber, que a PM é um dos principais instrumentos de repressão do Estado quando se trata de atacar os movimentos populares e não é diferente com o Movimento Estudantil. Falam de “batalhão universitário”, de polícia especializada; vale lembrar que também é tida como “especializada” a polícia que, com o pretexto da “pacificação” ou qualquer outra falácia inventada pelo Estado, oprime da forma mais covarde e cruel a população que habita as favelas e bairros pobres em todo o país.
A chapa vitoriosa faz também a defesa do apartidarismo no Movimento Estudantil, e esse é um aspecto central do programa político. Dizem que são os únicos que não recebem as influências dos partidos e que conduzem de forma independente a entidade. Suas propostas deixam claro que esse grupo possui uma filiação política e sua crítica aos partidos se dá de uma forma absurda, ao defenderem que o Movimento Estudantil não deve se envolver em questões mais amplas, não deve debater os problemas e as contradições inerentes a nossa sociedade e tem de se fechar, de forma burocrática e irresponsável, a discussão de aspectos políticos que, direta e indiretamente, afetam a vida universitária e os problemas enfrentados pelos estudantes. Querem transformar o Movimento Estudantil em um espaço que só defina encaminhamentos, onde o debate e a discussão política não tenha espaço, o que revela sua compreensão limitada sobre o papel da juventude e dos estudantes nas transformações sociais e seu oportunismo conservador que pretende alijar o Movimento dos problemas que permeiam a sociedade e a universidade, por consequência. Como lutar por mais salas, laboratórios e investimentos sem falar e criticar o REUNI? Como entender os problemas políticos da universidade sem lutar por sua democratização? Impossível! Além do mais, os estudantes que tem como referência a democracia e procuram aplicá-la a sua vida e sua prática política não podem fechar os olhos para os problemas sociais, pelo contrário, precisam se organizar e buscar a politização através dos grupos e dos coletivos que atuam na universidade e fora dela para, como Movimento Estudantil, tratá-los, debatê-los e apontar caminhos para a sua resolução. Os estudantes desempenham um papel fundamental na transformação de nossa sociedade e é necessário compreender esse papel para desenvolver a luta consequente e combativa no Movimento Estudantil.      Portanto, a tríade que guia a prática da Aliança pela Liberdade, atual gestão do DCE-UnB, é a seguinte: a) Privatização da universidade; b) Repressão ao Movimento Estudantil; c) Apartidarismo burocrático e irresponsável. 
     
Cabe o questionamento: qual o contexto político que possibilitou a ascensão da direita conservadora e reacionária à direção da principal entidade estudantil na Universidade de Brasília? 

Quando da primeira eleição conquistada pela Aliança, o setor majoritário da oposição, o governismo representado pela UNE (PT, PCdoB) - que, diga-se de passagem, tentou estabelecer unidade com o grupo de direita – os movimentos ligados ao PSTU e PSOL, representantes de partidos como PCB e outros, se posicionaram afirmando que aquela situação, que se repete atualmente, da vitória de um grupo de direita, era motivada por uma suposta “fragmentação da esquerda”, que a unidade entre os diferentes grupos da “esquerda” seria o caminho para barrar os conservadores. 
Já naquele período afirmávamos que esse não era o principal problema - o que ficou comprovado com o resultado do atual processo eleitoral, que mesmo com uma “ampla unidade entre os grupos de esquerda” representados na chapa 6, elegeu novamente a direita - que não iríamos nem podíamos rebaixar nosso programa e nossas propostas para o Movimento Estudantil para garantir uma unidade absurda com grupos que também, ao seu modo, representam obstáculos à organização combativa e consequente dos estudantes brasileiros. Chamávamos a atenção para a necessidade de se debater quais os grupos políticos que, de fato, representavam a esquerda, os ideais revolucionários e a prática condizente com esses ideais. Afirmar que UNE, PT, PCdoB, PSTU, PSOL, PCB e outros representam a esquerda é um contrassenso, tendo em vista o compromisso declarado desses grupos e partidos com a institucionalidade, com a burocracia estatal, sua postura oportunista e traidora nas mobilizações e lutas do Movimento Estudantil. 
O principal motivo que possibilitou a ascensão dos reacionários à direção do DCE da UnB foi exatamente a prática nefasta, pervertida, odiosa mesmo do governismo representado pela UNE, que dirigiu a entidade no período que precedeu a ascensão dos direitistas. Seu compromisso declarado (que em muitos momentos eles tentam disfarçar) com as políticas de precarização e privatização da universidade implementadas pela gerência do Estado, seu modo equivocado e antidemocrático de conduzir as lutas e os debates no interior do Movimento Estudantil, a relação íntima de seus militantes com figurões da burocracia e do parlamento, seu oportunismo eleitoreiro, o modo como fazem do Movimento Estudantil trampolim para cargos no Estado, a postura que adotam como “militantes profissionais”, que nunca se formam e vão ficando na universidade para perpetuar suas políticas sujas; são todas práticas que serviram para estigmatizar, entre os estudantes e a sociedade, a esquerda, porque essas pessoas e esses grupos governistas e oportunistas enchem sempre a boca para se autoproclamarem como de esquerda, revolucionários, socialistas, quando, na verdade, são inimigos dos estudantes e do povo brasileiro.          
 
A única forma de barrarmos a ascensão dos grupos de direita e reconduzir o Movimento Estudantil para o caminho justo, democrático-revolucionário, é organizar e centrar nossa militância na base, entre os estudantes mais honestos e combativos que se apresentam em todas as universidades e escolas. Precisamos estar presentes nas lutas, na discussão dos problemas mais sentidos pelos estudantes e lutar para avançar na mobilização e politização cada vez maior e mais intensa dos universitários e secundaristas em nosso país. Mobilizar e organizar a luta das massas estudantis; combater todo o oportunismo que possibilita a ascensão dos reacionários, além da privatização e precarização perpetradas pela gerência do Estado e propagandear, entre os estudantes, o caminho democrático-revolucionário, é a tarefa que se apresenta aos estudantes e organizações combativas na Universidade de Brasília e em todo o Brasil!
 

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