Estudantes do Campus Divinópolis da UFSJ mantêm greve


Estudantes de três cursos da Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ, campus Dona Lindu, localizado em Divinópolis (MG), decidiram manter a greve deflagrada na última quarta-feira (29/10), apesar da reitoria não reconhecer a legitimidade do movimento.

Eles protestam contra as péssimas condições de funcionamento dos cursos, que, mesmo sem a mínima infra-estrutura adequada, dobrarão o número de vagas disponibilizadas para o próximo vestibular, previsto para ocorrer em dezembro.

Até o momento, a reitoria, que fica localizada em São João Del Rei, há quase 300 Km do local, não aceitou dialogar com os estudantes. O reitor, Helvécio Luiz Reis, informou que não se deslocará até Divinópolis para conversar com eles.


Infra-estrutura deficiente
De acordo com Hygor Kleber Cabral Silva, estudante de Medicina, o campus Dona Lindu foi inaugurado no início deste ano e atende, hoje, a 200 alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica.

“São apenas duas salas de aula para dar conta dos quatro cursos e a reitoria ainda quer dobrar o número de vagas abertas para o próximo vestibular. O nosso campus não tem estrutura para receber mais 400 estudantes”, afirma.

Hygor conta que o único prédio do campus possui três andares, sendo que o último, que deveria abrigar os novos laboratórios, está inacabado. “As obras estão paralisadas há meses e, agora, a reitoria diz que vai utilizar o espaço para criar novas salas de aula”, conta.

Conforme ele, os alunos de Farmácia e Bioquímica contam com dois laboratórios, insuficientes para atender a demanda de disciplinas e de número de alunos. Os de Medicina e Enfermagem têm apenas um, batizado de laboratório “morfofuncional”, que apresenta algumas poucas peças sintéticas (moldes) para aulas de anatomia e 20 microscópios.

Falta de docentes
A falta de professores é outro problema enfrentado. Na Medicina, são apenas sete docentes, sendo que somente dois são efetivos. Na enfermagem, são seis, com cinco efetivos.

“Não temos um currículo. O programa pedagógico do curso nunca foi de fato implementado, porque não há quadros para isso. No início do ano, tínhamos aulas somente duas vezes por semana. E até hoje não sabemos quais matérias iremos cursos no semestre seguinte”, denuncia.

Criminalização na Bioquímica
Os estudantes do curso de Bioquímica, que também estavam paralisados, retomaram as atividades após serem ameaçados por um professor. De acordo com Hygor, um dos professores da Faculdade chegou a suspender um Projeto de Iniciação Científica e ameaçar cortar as bolsas dos alunos grevistas.

Esse mesmo professor teria, ainda registra um Boletim de Ocorrência contra os alunos que participavam do protesto por melhorias na infra-estrutura, acusando-os de ameaçar invadir o campus. Acuados, os estudantes interromperam o movimento.

 

Fonte: ANDES-SN

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