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Rebelião Popular em Paraisópolis

Batalhão de Choque da PM em frente à barricada feita por moradores
Na segunda-feira,
dia 2 de fevereiro, os moradores da favela de Paraisópolis, zona sul
de São Paulo, fizeram protesto fechando as ruas do bairro contra o
assassinato de um morador pela polícia militar. A manifestação foi
duramente reprimida pela Polícia e um intenso confronto se instalou.
O confronto com a
polícia iniciou no fim da tarde e durou várias horas. Os moradores
se defenderam usando paus e pedras, além de fogos de artifício,
enquanto a polícia, com mais de duzentos homens armados, investia
com carros blindados e lançava bombas de efeito moral.
Para dificultar a
repressão policial os moradores ergueram barricadas com fogo na
entrada da favela. Carros e pneus foram incendiados. Um jovem
operário de 21 anos, Marcione dos Santos, está com uma bala alojada
no ombro; outro morador, Derval da Silva, fotógrafo, também foi
atingido no ombro. Quatro policiais também saíram feridos.
Num vídeo
divulgado pelo monopólio televisivo, pode-se ver a indignação da
mulher de Derval: “Ele é um pai de família, não é um bandido”. Este
é o sentimento das pessoas de nosso povo, principalmente as que
moram em bairros pobres e favelas, contra a política estatal de
extermínio de pobres aplicada no Brasil.
O monopólio de
imprensa logo se pôs a difamar o povo que ali protestava contra mais
um, entre tantos, assassinatos de pobres cometidos pelas forças do
Estado. As “reportagens” designavam os moradores de vândalos e, como
sempre, diziam que o homem assassinado era bandido.
Protesto em
Paraisópolis, março de 2008
Mas
vândalos e bandidos, senhores, são vocês mesmos que, distorcendo a
realidade, caluniando o povo, estimulando os massacres,
criminalizando os pobres, cometem verdadeira violência – muito maior
do que queimar carros e quebrar vidraças.
Ainda mais
violento é o Estado que só aparece nas favelas para reprimir e matar
o povo. Ninguém fala da falta de creches; do desemprego; da fome; do
ensino; da precariedade habitacional, a que está submetida dezenas
de milhares de pessoas nesta favela e outras milhões pelo país
afora. Não falam, pois estes direitos do povo não são garantidos nem
de longe pelo Estado. A única garantia que o velho Estado dá aos
moradores de favelas é a da repressão policial constante. Tanto é
que agora, após este protesto popular, ‘a polícia ocupará a favela
por tempo indeterminado’ – como disse o secretário de segurança
Ronaldo Mazargão. Em vez de polícia, por que não oferece emprego,
habitação, saneamento básico entre outras necessidades (e direitos!)
do povo?
Pesquisas feitas
pelo Datafolha em 2007 apontam que a área de Vila Andrade, distrito
no qual se insere a favela de Paraisópolis, registram alguns dos
piores índices de São Paulo. O desemprego atinge a cifra de 25%,
o que significa dizer que uma a cada quatro pessoas está
desempregada.
O baixo índice de
escolarização também mostra o grau de violência do Estado para com o
povo: 54% dos moradores da região têm apenas o ensino fundamental,
e o número de pessoas que ingressou no ensino superior é de
míseros 7%.
47% dos moradores
do distrito (o que significa falar em mais de 50 mil pessoas) ganham
menos de dois salários mínimos por mês.
Acaso isto não é violência? Podemos dizer que estas pessoas vivem em
democracia?
A verdade é que a
exploração e opressão as quais o povo está submetido, somado com a
situação de miséria e com a crescente carestia de vida, representam
uma violência brutal particularmente sobre os pobres. E é por isso
que nós defendemos que o povo tem direito de se rebelar!
A única democracia
que existe ali é para a polícia, que entra na favela e com o aval,
legal ou ilegal do Estado, faz o que bem quer – prende, executa,
tortura, seqüestra, rouba, enfim, cumpre seu nefasto papel de
reprimir as massas trabalhadoras de nosso povo.
A tendência para o
aumento do protesto popular em nosso país continua crescente e com
ela se desenvolve célere a situação revolucionária. Esta rebelião na
favela de Paraisópolis é mais um exemplo de que o povo, não
suportando mais tanta injustiça, cada vez mais se lança na árdua
luta contra este velho Estado.
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A "democracia" no Brasil é bem
representada na fotografia abaixo:
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A marca da desigualdade: de
um lado, condomínio luxuoso; de outro, a miséria na favela
de Paraisópolis.
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Abaixo o Estado policial-fascista!
Viva a Rebelião Popular!
Rebelar-se é justo! |