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Mariátegui e os sete ensaios de interpretação da realidade peruana

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mariategui2Volta e meia aparecem nas universidades, como verdadeira febre, certos "modismos intelectuais", voltados a vulgarizar e tergiversar importantes figuras do pensamento revolucionário. O caso de Marx basta para comprovar o que dizemos. Lênin, em "O Estado e a Revolução" dizia brilhantemente:

"(...) em vida dos grandes revolucionários, as classes opressoras os submetem a constantes perseguições, acolhem suas doutrinas com a raiva mais selvagem, com o ódio mais furioso, com a campanha mais desenfreada de mentiras e calúnias. Depois de sua morte, se tenta converte-los em ícones inofensivos, canoniza-los, por dizer assim, rodear seus nomes com uma certa auréola de glória para ‘consolar’ e enganar as classes oprimidas, castrando o conteúdo revolucionário de sua doutrina revolucionária, melando o fio revolucionário desta, envilecendo-a".

 

mariategui1Com o revolucionário peruano José Carlos Mariátegui ocorre atualmente o mesmo. Sendo o mais importante intelectual peruano, um dos mais importantes teóricos marxistas latino-americanos, aquele fenômeno que já havia ocorrido no Peru (a intenção dos revisionistas de apropriar-se de Mariátegui para justificar sua traição ao marxismo) estendeu-se hoje à América Latina. O governos de “esquerda”, oportunistas e contra-revolucionários até à medula, especialmente o de Morales, tentam apresentar Mariátegui como um defensor de um inofensivo “socialismo indígena”, que não coloca a questão da revolução e do poder. E, feita esta apropriação oportunista, não faltaram “intelectuais de esquerda” a chover rios de tinta para pintar um Mariátegui longe da concepção marxista, oposto à Internacional Comunista e até quase um “trotskysta”, vejam só...

Pois nem sua atividade política, como fundador tanto do Partido Socialista do Peru quanto da Central Geral dos Trabalhadores Peruanos, nem sua atividade teórica, como um marxista-leninista, militante pela causa da ditadura do proletariado, autorizam semelhante falsificação. Aliás, as teses que Mariátegui formula na sua interpretação da realidade peruana terão vários pontos de encontro com aquelas teses que, quase ao mesmo tempo, o presidente Mao Tsetung formulava sobre a China. Analisando o caráter semifeudal e semicolonial da sociedade latino-americana em geral, e peruana em particular, dizia Mariátegui:

 

“A condição econômica destas Repúblicas é, sem sombra de dúvida, semicolonial; e, à medida que cresça seu capitalismo e, em conseqüência, a penetração imperialista, tem que acentuar-se esse caráter de sua economia”.


O Partido Comunista do Peru, reconstituído, tomando Mariátegui como seu fundador, dizia acertadamente: “As teses de Mariátegui sobre o capitalismo nos países atrasados devem entender-se em relação com as de Mao Tsetung, sobre o capitalismo burocrático e aprecia-las tendo em conta as condições específicas da América Latina”

(PCP, “RETOMEMOS A MARIÁTEGUI E RECONSTITUAMOS SEU PARTIDO”. Outubro de 1975).

 

Publicamos então os “Sete ensaios de interpretação da realidade peruana”, um clássico na acepção da palavra. Deixemos que o autor fale por si. Cada um pode chegar à conclusão que bem quiser, mas o fato é que a verdade científica e histórica nunca pode deixar de ser uma só.

 

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